o que é borderline

O que é Borderline, e como lidar com esse transtorno?

Estamos avanço na discussão de transtornos como o Borderline. Isso é importante para ajudar cada vez mais pessoas, mas também gera algumas dúvidas: O que é Borderline? Quais seus sintomas? E como ajudar alguém?

Com o aumento da conscientização sobre os transtornos psicológicos, estamos ouvindo falar de novas questões, como o Transtorno de Personalidade Borderline. Esse avanço na discussão é importante para ajudar cada vez mais pessoas, mas ele também gera algumas dúvidas: O que é Borderline? Quais seus sintomas? E como ajudar alguém?

São essas perguntas que iremos responder no artigo de hoje!

O que é Borderline?

Borderline é um termo em inglês, traduzido como fronteira, ou linha divisória. O Transtorno de Personalidade Borderline recebe esse nome porque a pessoa vive numa espécie de corda bamba emocional, tendendo para um lado ou para o outro.

As oscilações de humor podem ser muito rápidas - algo pequeno sai do controle e a pessoa tem uma explosão de raiva, ou começa a chorar como se não tivesse valor algum, por exemplo.

Também são comuns a impulsividade e o comportamento de risco, como dirigir em alta velocidade, abusar de álcool e drogas ou ter relações sexuais sem proteção, tudo com a ideia de alcançar uma intensidade nas ações.

Intensidade, inclusive, é uma palavra muito usada para descrever o que é Borderline, pois ele conduz várias pessoas a expressões e exigências emocionais muito fortes. Elas se jogam no mundo, mas tem medo de perder suas bases, e podem se sentir completamente vazias quando um relacionamento vai mal.

É importante pontuar que essas formas de agir não tem como objetivo afetar a vida dos outros, e quando a pessoa está mais calma ela pode reconhecer e até se culpar pelos próprios comportamentos.

Tal culpa também é característica no Borderline, e tende a produzir ciclos emocionais muito desafiadores: a pessoa erra e se culpa; para aliviar a sensação ruim ela age de modo impulsivo e faz algo ainda mais prejudicial, e então se culpa ainda mais.

Ciclos desse tipo também são comuns no transtorno bipolar.

Nesse caso, a pessoa deixa um estado depressivo, sente que está curada e pode dominar o mundo, age de modo impulsivo, comete falhas, e com isso experimenta sintomas depressivos ainda mais fortes, saindo deles ainda mais impulsiva após alguns dias ou semanas.

Essa semelhança nos traz uma mensagem importante: precisamos olhar para as pessoas com transtornos mentais sem “engavetá-las” numa ou outra categoria.

Alguém pode ter sintomas de Borderline e bipolaridade ao mesmo tempo, e ainda viver outros desafios emocionais, ou vivenciar problemas que se parecem com os dois, mas não se encaixam em nenhum diagnóstico, por exemplo.

Tenha cuidado para não “diagnosticar” as pessoas com base em um comportamento. Se uma amiga parece mudar de humor várias vezes ou um familiar está demorando para superar um momento difícil, isso não significa que eles possuem um transtorno!

Na verdade, o diagnóstico de Borderline só pode ser realizado de modo clínico, após exames e avaliações realizadas por profissional da psicologia ou psiquiatria.

Como lidar com o transtorno Borderline?

Compreender o que é Borderline é o primeiro passo, e por isso você já está avançando conforme busca por mais informações. Esse processo, no entanto, não deve ser usado para criar “caixinhas” e prender as pessoas dentro de um conceito. O Borderline é diferente para cada indivíduo, e precisamos considerar essas diferenças na hora de receber ou oferecer ajuda.

Processos Terapêuticos

O Movimento Transformacional tem como foco ensinar processos terapêuticos, mas temos uma visão diferente sobre o assunto. Acreditamos que toda pessoa está oferecendo uma terapia ao ajudar alguém com desafios emocionais, e também na possibilidade da autoterapia como forma de lidar com nossas próprias questões.

Por esse motivo, apesar de falar um pouco sobre a terapia nos próximos parágrafos, temos a intenção de dialogar com cada pessoa que deseja lidar com o Borderline.

A chave para o processo terapêutico está no trabalho de ressignificação e clareza.

Ressignificar é construir uma nova história, para que a pessoa não veja seu transtorno como uma limitação insuperável, ou um fardo que precisa carregar pela vida.

Esse princípio também pode ser aplicado para mudar emoções referentes ao passado - talvez a pessoa tenha sofrido bullying por conta do transtorno, ou encerrado uma relação importante, por exemplo, e ainda precisa de ajuda para lidar com isso.

A clareza, por sua vez, é um olhar de possibilidades e ânimo para o futuro.

Através dela será possível construir um estilo de vida que não deixe a pessoa limitada pelo transtorno, ou por qualquer outro desafio. Ela pode encontrar profissões onde tenha menos problemas, por exemplo, ou descobrir quais tipos de pessoas são melhores para se relacionar.

A terapia também pode buscar o alinhamento entre o corpo e a mente. Muitos transtornos envolvem alterações da química no cérebro e em outras partes do organismo, e isso não pode ser ignorado.

O terapeuta não é obrigado a saber muito sobre isso, e sempre pode indicar um acompanhamento multidisciplinar com profissionais da psiquiatria para entender o que está havendo, ou da nutrição para criar uma dieta que reduza os efeitos do transtorno, por exemplo. Se você acredita que possui o Transtorno de Personalidade Borderline, também é recomendável buscar esse tipo de apoio.

Além disso, a terapia pode fazer com que a pessoa se mantenha firme nos tratamentos e hábitos saudáveis, ajudando ela a ver esse processo como uma jornada positiva para melhorar a si mesma, e não uma espécie de punição por ser como ela é.

Se for preciso tomar um remédio, por exemplo, manter um estado mental positivo pode ajudar a cumprir essa rotina, ao invés de ignorar ou fugir da medicação.

Encontre e respeite o seu limiar

Quem passa por algum transtorno psicológico deve dar muita atenção à ideia de limiar, que é o quanto de um estímulo você aguenta receber.

Imagine que cada pessoa tenha um recipiente emocional, e quando ele se enche de experiências negativas a pessoa reage de modo indesejado - com raiva, culpa ou medo, por exemplo.

Nesse sentido, o recipiente de quem está vivendo Borderline costuma ser menor, então as reações surgem a partir de estímulos que não afetariam as outras pessoas. É muito importante garantir que você esteja sempre esvaziando o seu recipiente, por meio de práticas como terapia, meditação, contato com a natureza, além de hábitos saudáveis para cuidar do corpo.

Se algo te incomoda e causa emoções negativas, fale sobre isso com alguém que esteja disposto a ouvir, ou pratique uma atividade manual para tirar o foco dos seus pensamentos, por exemplo. Dessa forma o seu recipiente estará mais controlado, e poderá receber outros estímulos sem disparar uma crise e agravar ainda mais o problema.

Uma ótima notícia é que essas mesmas práticas, pouco a pouco, também aumentam o nosso recipiente emocional. Se você transformá-las em hábitos, depois de um tempo vai perceber como aqueles estímulos que disparam uma reação negativa deixam de ter o mesmo poder!

Como fazer uma pessoa com Borderline buscar ajuda?

Familiares e amigos que aprendem mais sobre o que é Borderline vão querer que a pessoa busque ajuda. Isso é muito importante, mas deve ser feito com cuidado, pois a forma de abordar o tema pode ser a diferença entre ajudá-la a buscar tratamento, ou aprofundar ainda mais o problema!

A comunicação com alguém que possui um problema emocional - seja um transtorno diagnosticável ou não - nunca deve começar por “qual a sua doença” ou “o que você tem de errado”?

Nenhum ser humano quer pensar que há algo quebrado em si mesmo, e qualquer pessoa reagirá de modo negativo se perceber que você a enxerga dessa maneira. Ela vai ficar na defensiva, e será impossível gerar uma conexão para mostrar o seu ponto de vista.

Ao invés disso, você pode se conectar de uma forma que demonstra empatia, e ao mesmo tempo permite compreender melhor a pessoa, fazendo perguntas como:

  • O que você faz para saber que tem esse problema?
  • Quais comportamentos seus te dizem isso?
  • Como você se sente durante esses momentos?
  • O que você acha que está acontecendo com suas emoções?

Perceba como as próprias perguntas estão dizendo à outra pessoa: você está no controle. Mesmo quando alguém passa por um transtorno psicológico que o faz agir de modos não planejados, a noção de estar no controle é fundamental para avançar. Essas questões também focam nas ações, algo que pode ser transformado, e não numa doença que pode carregar a noção de ser insuperável.

Quando a pessoa sente que está guiando a própria vida - e que você respeita isso - é muito mais fácil ela criar soluções, começar e continuar os tratamentos necessários e ter disposição para estar cada vez melhor.

Muitos indivíduos com transtornos sofrem com um segundo problema, que é a tentativa de controle por parte de outras pessoas. Quem faz isso, normalmente, é quem mais o ama - o pai, a mãe, o irmão, a esposa... - mas essa pessoa nem sempre conhece a maneira certa de agir.

Se você tem alguém importante com um transtorno, pare de ordenar que a pessoa busque tratamento, e procure mostrar de uma forma tranquila o que isso traria de bom para ela!

Veja bem, não é o que você acha que é bom, mas o que ela mesma acha. Para isso é preciso conversar, entender os objetivos e as emoções da outra pessoa, descobrir o que ela deseja e o que ela teme. Esse é o caminho para estabelecer conexão e demonstrar que você é confiável, acompanhando ela para então conduzir as conversas trazendo sugestões sobre o tratamento.

Todo tipo de ação voltada a qualquer pessoa, seja num momento de crise ou de calma, deve começar pela empatia. Isso significa olhar o mundo do outro pelos olhos dele, entender as suas emoções e pensamentos, e então partir disso para um estado melhor - caminhando de dentro para fora, ao invés de impor uma mudança através da força!

Artigo publicado em:
13/06/2022
foto romanni

Romanni Souza

Criador da Hipnose Transformacional, graduado em psicologia pelo Unipam, e pós graduado em neurociências pela PUCRS. Fundador do Instituto Romanni, com mais de 20 mil pessoas transformadas.

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