terapia com familiares

Terapia com familiares: É possível? Como fazer?

Na visão Transformacional, você não apenas pode, como provavelmente já tem feito e vai continuar a fazer terapia com familiares por toda a sua vida.

Quem começa a atuar no campo da terapia pode ter a ideia de que não é correto ou positivo usar ferramentas terapêuticas para lidar com pessoas caso vocês tenham uma relação profunda. Alguns terapeutas iniciantes acham até que isso é proibido, e acabam deixando de ajudar quem está bem ao seu lado.

Mas, será mesmo que não é possível atender amigos ou familiares?

Algumas teorias mais “tradicionais” da área realmente dizem que não é correto usar ferramentas terapêuticas para lidar com pessoas caso vocês tenham alguma proximidade. Na visão do Movimento Transformacional, entretanto, essa ideia é falsa. Para nós você não apenas pode, como provavelmente já tem feito e vai continuar a fazer isso durante toda a sua vida.

Pareceu confuso? Vamos entender melhor na prática, imaginando os seguintes cenários:

  • Uma criança é ridicularizada pelos coleguinhas e chega em casa chorando. A mãe faz ela se acalmar, e mostra como o filho tem valor, recuperando a sua confiança.
  • A pessoa que você ama perde um familiar, e você ajuda ela durante o processo de luto, para que a dor se transforme e os momentos de tristeza sejam encarados de uma forma saudável.
  • Uma senhora descobre uma doença grave, e precisa seguir diversas regras para manter-se bem. Seu filho garante que a mãe sinta-se orgulhosa por cumprir as recomendações, facilitando o tratamento.

Todos esses exemplos mostram como pessoas próximas estão fazendo terapias umas com as outras, de forma cotidiana. Isso é parte da natureza humana: nós agimos para fazer amigos e familiares se sentirem melhor e atravessarem os momentos difíceis de suas vidas.

Pense nos cuidados médicos, por exemplo. Todos nós indicamos remédios, chás e alimentos saudáveis uns aos outros - o tempo inteiro. Muitas dessas recomendações tem como base aquilo que nos fez bem, mas talvez não seja tão eficiente para a outra pessoa.

Já uma médica formada pode indicar remédios mais específicos, que a maioria de nós não conhece. Podemos dizer que ela tem, na sua própria área, um conhecimento mais adequado para cada situação. Ela pode usar esse conhecimento para ajudar ainda mais seus amigos e familiares.

O mesmo ocorre na terapia. Quando você aprende e usa algum modelo, como a Hipnose Transformacional, está apenas ganhando mais controle sobre os resultados da interação com outras pessoas - você poderia fazer a terapia sem o método, mas ele aumenta as chances de sucesso.

Quando trabalhamos com o senso comum, baseado somente nas nossas experiências e no desejo de fazer o bem, podemos sim obter resultados; mas é como tatear no escuro, então isso pode ser um fracasso total, pode ajudar medianamente ou pode transformar aquela vida para melhor.

Imagine uma pessoa que conseguiu se livrar de pensamentos suicidas sozinha. Em seu ciclo próximo, há uma pessoa com o mesmo problema, e a primeira diz: pense positivo, não fique sozinha por muito tempo e pratique atividade física.

São conselhos bem intencionados, e ajudaram quem está falando, entretanto, se pensarmos que cada pessoa  tem motivações, pensamentos e estágios depressivos diferentes, quais são as chances de que esses conselhos sirvam para todas?

Quando você aprende e usa algum modelo terapêutico, está aumentando as suas possibilidades, e poderá ajudar mais pessoas, pois terá a experiência de outros terapeutas que usaram aquele modelo de formas variadas.

No Movimento Transformacional, por exemplo, nós já temos uma comunidade com mais de 3.500 pessoas testando ferramentas terapêuticas no seu dia a dia. Participando desse grupo, você tem acesso ao conhecimento de todas elas, e a soma desse conhecimento certamente é muito maior do que qualquer pessoa conseguiria obter apenas com a própria experiência.

É importante você entender como a nossa visão sobre terapia é muito mais abrangente do que os conceitos tradicionais. No Movimento Transformacional, fazer terapia é ajudar o outro a ter uma percepção melhor do mundo.

Todo amigo ou familiar preocupado já faz isso o tempo inteiro, e entender mais sobre as ferramentas terapêuticas é apenas uma forma de controlar melhor os resultados. Dentro dessa visão ampla, no entanto, é importante saber que cada pessoa terá seus próprios limites.

Isso vale tanto para quem vier em busca de ajuda, quanto para você mesmo, e respeitar esses limites é importante para garantir que o processo terapêutico se desenvolva da maneira correta e faça a outra pessoa ter condições de construir uma vida mais equilibrada.

Vamos olhar dois exemplos para entender melhor quais são estes limites:

1. Sua mãe está vivendo um estado depressivo, relacionado ao término da relação com seu pai, que agiu de forma desonesta e não respeitou os sentimentos dela.

2. Sua mãe está vivendo um estado depressivo, relacionado a um problema de saúde, Ela precisa de ajuda para manter a cabeça erguida e não deixar as recomendações médicas de lado.

No primeiro caso, pode ser que você tenha muita raiva, desprezo ou ressentimento pelas ações do seu pai. Nesta situação, há grandes chances de que as suas emoções transbordem no processo terapêutico, influenciando os resultados que sua mãe pode alcançar.

Em questões como essas, quando a pessoa que precisa de terapia tem problemas com uma terceira pessoa, e você está emocionalmente envolvido com as duas (de forma positiva ou negativa), talvez seja melhor buscar outros profissionais para ajudar.

Você pode até consultar a base de parceiros do Movimento Transformacional para encontrar alguém!

Já em casos como o segundo exemplo, quando a terapia não aponta o envolvimento de terceiros na história, um amigo ou familiar pode ser a melhor pessoa do mundo para realizar o processo, pois estará ao lado da outra pessoa durante toda a jornada.

Agora que temos algumas referências para saber quando fazer terapia com pessoas próximas, é hora de saber como devemos conduzir essa relação!

Como fazer terapia com familiares?

Com pessoas próximas é mais interessante fazer os processos terapêuticos considerando a sua percepção e realidade presente. Isso significa utilizar técnicas que trabalhem as emoções e crenças da pessoa no momento atual, sem ter de fazer uma regressão.

Mesmo que os desafios atuais tenham ligações com algum trauma do passado, é possível realizar toda a terapia no presente - afinal tanto você quanto a outra pessoa vivem aqui e agora, certo?

Digamos que a pessoa tenha medo de altura, e na mente dela isso acontece porque, quando criança, ela foi obrigada a andar numa roda gigante, por exemplo.

Você não precisa ir até essa memória para fazer o trabalho, pois seu objetivo é eliminar o medo, que existe no presente!

Agir dessa forma, sem voltar ao passado, é uma forma de proteger o relacionamento próximo que você tem com a outra pessoa. Além disso, afastar-se da memória também evita que as percepções e crenças sobre outras pessoas venham parar na terapia, impedindo os problemas que discutimos anteriormente.

Existem várias técnicas de atendimento terapêutico que possibilitam essa abordagem no presente, e agora nós vamos conferir algumas delas.

3 técnicas simples de terapia com familiares

Essas ferramentas cumprem os objetivos acima, e são muito indicadas para ajudar familiares e amigos a lidar com seus desafios emocionais.

Dessensibilização

É uma ferramenta usada para o tratamento de fobias, quando a pessoa é incapaz de lidar com seus medos. Na dessensibilização faremos uma exposição controlada a estímulos que tenham ligação com o medo, ajudando a pessoa a estar de frente para esses estímulos sem ser dominada pelo terror que eles costumavam causar.

Se ela é aterrorizada por aranhas, por exemplo, podemos mostrar uma foto ou um vídeo desses animais, usando técnicas de relaxamento para manter a pessoa calma. Em seguida, podemos trazer um vidro com aranhas presas, usando o relaxamento mais uma vez.

Esses estímulos vão deixar a pessoa cada vez mais segura, até ser capaz de ter uma ou duas aranhas soltas ao seu redor, sem entrar em pânico.

Física dos Sentimentos

Essa é uma ferramenta capaz de ressignificar emoções traumáticas, como raiva, culpa e amargura. A física dos sentimentos permite que a pessoa visualize essa emoção como um objeto, e ao manipular esse objeto, ela pode transformar seus sentimentos em algo mais saudável, puro e positivo.

Digamos que a pessoa chega até você afirmando que há uma situação desafiadora na vida dele, como uma corrente pesada amarrando seu pé. Com a Física dos Sentimentos nós poderíamos transformá-la em um laço, que pode ser desamarrado.

Essa transição é uma metáfora que permite enxergar o desafio como algo controlável, ao invés de uma força gigantesca que nos limita por completo. A ideia dessa técnica é trazer as emoções “para fora” da pessoa, onde é mais fácil lidar a sua representação, criando uma imagem mais agradável, que será levada de volta “para dentro”.

Ponte para o futuro

Uma técnica muito poderosa para mudar hábitos, eliminando comportamentos negativos (fumo, alimentação compulsiva, procrastinação…) e favorecendo a construção de hábitos positivos (caminhar, meditar, ler, etc.).

Ela consiste numa visualização guiada onde a pessoa enxerga seu futuro ideal, se conecta a ele e pode agir para construí-lo. A técnica não tem nenhum mistério, a todo momento eu e você estamos criando possibilidades para o futuro - Amanhã vai chover? Será que eu vou me sair bem na apresentação? Se a inflação aumentar muito, o que acontece?

O objetivo da técnica no processo terapêutico é usar isso para criar pontes que levem aos objetivos apontados pela pessoa - cenários futuros que lhe ajudem a ter um desempenho extraordinário e dar o melhor de si nas situações que enfrentar.

Estas são apenas algumas das muitas técnicas que podem ser utilizadas para ajudar amigos e familiares, e até mesmo outros clientes em suas terapias, sem voltar ao passado ou lidar com traumas - tudo é feito usando a percepção da pessoa no momento atual.

Quem tiver mais interesse pode acessar outras ferramentas no Movimento Transformacional para conhecer nossos cursos e as dezenas de técnicas compartilhadas dentro deles!

Conclusão

Quando for cuidar de amigos ou familiares com a terapia, pense no que a outra pessoa espera. Nas relações familiares, é muito comum vermos a necessidade de mudança ser “terceirizada”. O marido quer ajudar a esposa, a mãe quer ajudar o filho e um irmão quer ajudar o outro.

Todas essas pessoas tem as melhores intenções, mas costumam seguir o pior dos caminhos, que é tentar forçar uma mudança no outro.

Se você quer ter um filho incrível, por exemplo, não é difícil perceber que o melhor caminho é sendo - você mesmo - uma pessoa incrível, e mostrando novas possibilidades para ele. O mesmo vale para todas as outras relações!

Além disso, tenha sempre em mente que para ajudar alguém, a outra pessoa deve querer mudar muito mais do que você quer mudá-la. Sem o desejo interno de mudança, ela vai ver a sua tentativa de ajuda como uma atormentação, e pode até reforçar os padrões negativos, apenas para mostrar que é dona dos próprios passos.

Pronto: agora você já sabe tudo que precisa para fazer a terapia com familiares e ajudar as pessoas que você mais ama. Se quiser aprender mais técnicas e princípios para se tornar um terapeuta ainda melhor, venha conhecer o Movimento Transformacional!

Artigo publicado em:
04/05/2022
foto romanni

Romanni Souza

Criador da Hipnose Transformacional, graduado em psicologia pelo Unipam, e pós graduado em neurociências pela PUCRS. Fundador do Instituto Romanni, com mais de 20 mil pessoas transformadas.

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