Como superar um vício? Uma estratégia em 3 etapas

A batalha contra o vício é enfrentada por milhões de pessoas. Suas consequências, que incluem desemprego, doenças e isolamento social, levam cada uma delas a se questionar diariamente: afinal, como superar um vício?

Em primeiro lugar, uma abordagem coletiva é sempre a melhor opção.

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Quando há a ajuda de amigos, familiares, colegas do trabalho e profissionais adequados à tarefa, os resultados chegarão mais rápido e terão uma chance maior de se perpetuar, causando um abandono definitivo do vício.

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Se você acredita estar lutando sozinho(a), as comunidades virtuais organizadas por especialistas na área podem ser uma opção de acolhimento. Existem diversos profissionais dedicados a essa tarefa, como é o exemplo da Dra. Julia Khoury, com quem eu pude conversar sobre como superar um vício na live Eliminando Vícios.

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A Julia, que é psiquiatra pela UFMG e hipnoterapeuta formada no Instituto Romanni, deu diversas dicas, tanto para a pessoa que está enfrentando pessoalmente um vício, quanto para quem gostaria de ajudar alguém nessa situação!

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Como superar um vício: As 3 etapas fundamentais

1. Identificar

2. Compreender

3. Modificar

Bônus: O que fazer quando a pessoa “não quer” ajuda?

1. Identificar

Você sabe dizer, exatamente, o que define um vício?

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É normal ver alguém apontando que um conhecido é alcoólatra ou que o filho está viciado em jogos - mas quando um comportamento se torna verdadeiramente prejudicial?

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Não existe uma linha definitiva separando o que é vício do que não é, mas todos podemos concordar com os estes dois elementos:

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  • Dificuldade para interromper o hábito;
  • Reconhecimento (assumido ou não) de que seu comportamento traz prejuízos;

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Uma noção fundamental acerca do vício é que estes dois elementos podem ser desenvolvidos em relação a quase todo tipo de substância ou ação - embora, é claro, alguns sejam mais poderosos do que outros.

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Há quem tenha obsessão com café, ao ponto de acabar com insônia ou gastrite por conta da bebida. Outras pessoas são viciadas em academia, uma prática que é benéfica quando realizada com equilíbrio.

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Muitas desenvolvem problemas com jogos, filmes e séries, doces, acumulação de objetos e até com faxinas em excesso! Existe também o vício em trabalho, atividade que é essencial para todos nós, mas pode causar transtornos quando passa a controlar inteiramente o seu dia a dia.

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Nesses casos, é difícil falar, e até mesmo imaginar, que a pessoa tem um problema com café, academia ou trabalho, mas afirmamos facilmente que alguém tem um problema com as drogas, por exemplo.

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Se o trabalho, em si, fosse viciante, teríamos uma situação gravíssima, já que bilhões de pessoas são expostas a ele diariamente - entretanto, só algumas experimentam os efeitos negativos do trabalho compulsivo.

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Essa percepção nos leva à seguinte pergunta: o que causa um vício?

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Qual é a linha entre tomar algumas doses depois do trabalho e desenvolver um quadro de alcoolismo, por exemplo? A resposta é dada pela segunda etapa em nossa jornada para entender como superar um vício.

2. Compreender

Existem dois fatores comumente associados ao vício: genética e ambiente - que pode ser definido como a soma de eventos na vida de uma pessoa e as maneiras pelas quais ela interpreta estes acontecimentos.

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No primeiro caso, considera-se a possibilidade de que algumas substâncias possam interagir com certos genes em nosso organismo, aumentando as chances de que elas causem dependência química em pessoas predispostas.

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No segundo, acredita-se que a exposição a determinadas situações, e a forma são interpretadas, dão início a um comportamento compulsivo. Aqui nós vamos focar nessa visão, por dois motivos:

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1. Enquanto a genética é imutável, podemos utilizar métodos como a Hipnose Transformacional para controlar a influência do ambiente em nossas vidas;

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2. Nos estudos que ligam fatores genéticos ao vício, eles são tratados como indicativos, e não determinantes: mesmo nesses casos, o fator ambiental ainda exerce um papel, que pode ser controlado.

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Na live que eu fiz com a Dra. Julia, ela afirma que o vício não é uma doença, mas um sintoma de problemas anteriores.

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Todo terapeuta com alguma experiência já tratou, ou pelo menos ouviu histórias, sobre pessoas que:

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  • Começaram a beber após o fim de um relacionamento;
  • Dedicam várias horas aos jogos por se sentirem pressionadas ou ansiosas;
  • Fumaram seu primeiro cigarro num dia em que o trabalho foi especialmente estressante.

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Essas histórias nos mostram que o comportamento compulsivo quase sempre surge para ocupar um espaço (luto, término, demissão...) ou para amenizar um excesso - de preocupação, estresse ou cobranças, por exemplo.

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Não há como superar um vício sem levar isso em consideração: ele é parte de uma história. Compreender uma pessoa a partir do vício, e não de sua vida inteira, seria como abrir um livro na última página e tentar entender o final.

3. Modificar

Entendendo que o vício é um sintoma, nós devemos tratar as suas causas. Essa etapa pode ser dividida em duas frentes.

  • Causas profundas: Traumas, ansiedades, frustrações, perdas e outros acontecimentos/interpretações que desencadearam o vício. A melhor resposta costuma ser um processo terapêutico, buscando ressignificar as crenças responsáveis pela fragilidade que permitiu a instauração do vício.

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Tome como exemplo um estudante universitário. Quando ele sente a pressão e ansiedade por resultados, busca o cigarro para distrair-se dos próprios pensamentos. Uma terapia como a Hipnose Transformacional estará focada em fornecer maneiras saudáveis de lidar com essas emoções, para que fumar não seja mais necessário.

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  • Causas imediatas: São os gatilhos que disparam o vício. Tomando o mesmo exemplo de um estudante que fuma, pode ser que ele pegue um cigarro ao tomar café, ou quando está no intervalo entre duas matérias. O objetivo seria trocar o café por outra bebida, e a espera por uma conversa com seus colegas ou uma breve caminhada, por exemplo.

Bônus: O que fazer quando a pessoa “não quer” ajuda?

Aqui está uma das reclamações mais comuns entre quem está aprendendo como superar um vício para ajudar amigos ou familiares: você luta para afastar a compulsão, mas parece que nada adianta - a pessoa querida sempre acaba voltando ao vício.

E agora?

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Em primeiro lugar, saiba que não existe receita pronta: cada pessoa terá seus próprios mecanismos e o que funciona para uma pode não dar certo com outra. É fácil apontar, num exemplo, que uma nova bebida, conversas e caminhadas vão ajudar, mas isso é apenas uma síntese.

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Será preciso investir tempo para descobrir e substituir as causas profundas e imediatas do vício no caso dessa pessoa específica, assim como para realizar o processo de terapia e implementar os novos hábitos conforme o ritmo dela.

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Tenha em mente que todo ser humano deseja ter controle sobre as próprias escolhas, e ficar refém de uma substância ou comportamento não é algo que seu amigo ou familiar faz por teimosia ou implicância - ninguém sabe melhor do que ele o quanto seu vício está causando problemas.

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Não se trata de forçar uma transformação, mas de compreender as motivações do indivíduo e trabalhar com elas: ajudar a pessoa a encontrar os motivos pelos quais ela gostaria de superar o vício, e não os motivos pelos quais você acha que isso é importante!

Artigo publicado em:
17-08-2021
foto romanni

Romanni Souza

Criador da Hipnose Transformacional, graduado em psicologia pelo Unipam, e pós graduado em neurociências pela PUCRS. Fundador do Instituto Romanni, com mais de 20 mil pessoas transformadas.

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